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ERIK AXEL KARLFELDT
( SUÉCIA )
Erik Axel Karlfeldt foi um poeta sueco simbolista, cujas poesias aparecem como regionalistas da era popular. Recebeu, a título póstumo, o Nobel de Literatura de 1931. Karlfeldt recusou o prêmio em 1919, considerando tal atribuição injusta por ser ele o secretário permanente da Academia Sueca. Wikipédia
Nascimento: 20 de julho de 1864, Karlbo, Avesta, Suécia
Falecimento: 8 de abril de 1931, Estocolmo, Suécia
Formação: Universidade de Uppsala
Filhos: Anna Blanzeflor, Folke Karlfeldt, Sune Karlfeldt
Cônjuge: Gerda Holmberg (de 1916 a 1931)
KARKFELDT, Erik Axel. Poesias. Tradução de Ivo Barroso. Estudo introdutivo de Gunnar Brandell. Ilustrações de Postma. Rio de Janeiro: Editôra Opera Mundi, 1971. 240 p.
No. 10 944 Exemplar da biblioteca de Antonio Miranda
CANÇÕES DOS BOSQUES E CANÇÕES DE AMOR -1895
AMOR JOVEM
Seu jovem amor ela me deu,
uma noite, na amena floresta.
O campo recendia ao crepúsculo
e o cuco cantava as horas.
Pelos sendeiros entre os salvados
até o sombrio domínio das dríades,
esquecidos do mundo, fomos juntos
como num sonho juvenil e vaidoso.
Pelos recônditos da noite
uma ária nupcial em cordas tremulantes
subia dos pinheiros e das rosas bravias
até as encostas semeadas de trevos.
Nas nuvens sombrias brilhava um ponto argênteo,
a estrela Vênus, que nos contemplava, hierática:
caímos entre os braços um do outro
e sentimos o coração bater em nosso peito.
Depois descemos pelo vale
por onde o regato se estende em silêncio;
na fonte bebemos numa concha de madeira
para refrescar os lábios afogueados de beijos.
E sentimos por um prado florescente,
vagando sem pressa, ébrios pelo verão,
e, a mente repleta de tumulto e de febre,
contemplamos os dois o nascer das estrelas.
SERENATA
As glandes do pinheiro e a folhagem das bétulas
Cobriram teu telhado, onde a erva murchou.
Dorme em teu leito de palha, dorme feliz e tranquila
à sombra das nuvens que a noite semeou.
Quando o inverno vier bater à tua porta,
vestido de branco, tal qual um pretendente,
sonha então um sonho bom que te acalente
ao abrigo de tuas paredes de madeira.
Sonha com o vento do verão, a cantar e a brincar,
embora gema lá fora a tempestade.
Sonha que sob a verde abóbada das bétulas
Repousas adormecida nos meus braços.
CANÇÕES DE FRIOLIN E OUTROS POEMAS
TALVEZ
Cheguei a sofrer quase tudo
o que se pode sofrer de pena e desconforto,
Estão visíveis os sinais?
Meu leito florescerá ainda para as núpcias
e será que terei esposa e filho?
Quem sabe ler a minha sorte?
Devo reclamar de Deus?
Não, decerto viu que minha pele,
para abrandar-se, requeria um rude tratamento.
Em verdade, como o senti! Mas foi boa a queimadura:
eu não sou hoje nenhum infame.
Devo lamentar-me por isso?
Irão ainda me desancar?
Talvez suporte outra desgraça?
Tormentas sobre os meus plainos,
‘exposta ao vendaval do norte.
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Página publicada em dezembro de 2025.
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